O Fazer

Foto: Genilson de Lima
Caixa de ferramentas e caixa de brinquedos, termos utilizados pelo escritor Rubem Alves para ilustrar a idéia de que o ser humano nasce com estas duas caixas. A caixa de ferramentas tem instrumentos que são para auxiliarem o corpo, por assim dizer, estender o corpo: proporciona movimento, força, destreza e tudo mais que está relacionado com a mecânica, já a caixa de brinquedos, quem dá o sentido é o ser humano, ela é possibilidade de “usança”. A caixa de brinquedos é para a gente ver o mundo bonito, é encantamento, é para a gente se ver.
As peças de Alberto Bernardo são ilustrações dessas caixas que são imprescindíveis à vida. Elas se conectam por conterem um caráter mecânico, quando, por exemplo, são acionadas por manivela e proporcionam movimentos, representando o fazer humano: “nada que eu faço é estático, tudo tem movimento” ; e o caráter mítico do brincar relacionado a uma contextualização histórica – cultural principalmente a historia do nordeste e suas manifestações culturais.

Foto: Genilson de Lima
Suas peças são feitas em madeira, esculturas com o formato boleado, como se fosse feita de barro, nitidamente influenciadas pelos bonecos de barro do Mestre Vitalino da comunidade do Auto do Moura, localizada em Pernambuco, além das peças dos santeiros e escultores do Ceará como Mestre Bibi da cidade do interior, Canindé. É Influenciado também pela linguagem e pela estética dos mestres brinquedistas e bonequeiros antigos Zezito, Boca Rica, Saúba, Adalto dentre outros, porém através de seus estudos e de um outro olhar, agrega em seu trabalho novas possibilidades de se construir as peças/brinquedos tradicionais.
As cores fortes nas peças (amarelo, vermelho e laranja) são características bem marcantes de seu trabalho influenciadas pela luminosidade de sua terra, o Ceará.
Destaca-se também o estilo narrativo de suas peças, o contar das vivências e fazeres do povo nordestino, o cotidiano de indivíduos que fizeram nossa história (pais, mães, avôs, avós), memórias de infâncias que devem ser valorizados em nossa memória coletiva como, por exemplo, representadas nas peças Casa de Farinha e Vaqueiro. Vale ressaltar, além disso, o caráter universal das temáticas das peças relacionadas com as histórias do imaginário coletivo universal como a Santa Ceia e o Centauro.
Lúcia de Fátima,
Socióloga
Assessora do Programa Crescer com Arte e Cidadania da Coordenadoria de Criança e Adolescente/ SDH ( Secretaria de Direitos Humanos) da Prefeitura Municipal de Fortaleza/CE.



